Após manifestação em frente à Justiça Federal, atingidos conseguem conversa com juiz

Da Redação

Com informações de Sergio Papagaio e MAB

Fotos: Sergio Papagaio e Thiago Alves

Na última terça-feira (22), os atingidos de Barra Longa e do Rio Doce, organizados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), participaram de um ato de repúdio em frente à Justiça Federal em Ponte Nova (MG), contra o que chamam de “injustiça que se renova”.

Por meio de cartazes, os atingidos demonstraram a revolta contra a decisão do juiz Jacques de Queiroz Ferreira, que recentemente suspendeu a ação contra as 22 pessoas ligadas a Samarco, Vale, BHP e VogBR, acusadas pelo crime do rompimento da Barragem.

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Os atingidos de Barra Longa Simone Silva e Sergio Papagaio conversam com o juiz Jacques de Queiroz e o procurador da AGU Guto Malta.

Após o protesto na sede da Justiça Federal em Ponte Nova, os atingidos foram recebidos pelo juiz Jacques de Queiroz e pelo procurador da Advocacia Geral da União (AGU) Guto Malta.

Durante a conversa o juiz explicou sobre a suspensão do processo, que acatou o pedido do diretor-presidente licenciado da Samarco, Ricardo Vescovi, e do ex-diretor de Operações, Kleber Terra.   

De acordo com o juiz, da Vara Federal de Ponte Nova, a suspensão se deu a pedido da defesa dos acusados, que alegou escutas telefônicas realizadas fora do período permitido judicialmente. Ainda segundo o juiz, a decisão seguiu desta maneira para evitar que o processo pudesse sofrer anulação em outra instância, bem como evitar parcialidade sobre os Direitos Constitucionais dos envolvidos.

Com sua filha de dois anos, a atingida Simone Silva relatou ao judiciário a situação que está enfrentando em Barra Longa, que atualmente está sendo afetada pela poeira gerada pela lama. Conforme já noticiado pelo A Sirene, Simone luta para que a Samarco arque com os custos financeiros do tratamento de saúde de sua filha, a Sofya.

“Vivemos uma luta diária para garantir nossos direitos. Eu não tenho cartão [auxílio] e nenhuma renda que venha da Samarco. Minha casa foi afetada, assim como a de muitos outros moradores”, disse Simone aos integrantes do MAB.

Para Thiago Alves, jornalista e integrante do movimento, a discussão com o judiciário foi positiva, mas registra e reafirma a posição do MAB sobre o papel da Justiça brasileira.

“Concordamos com o Juiz de que não podemos ceder em princípios em nome de uma suposta ‘justiça’, tais como divulgar grampos que contém conversas entre réus e advogados, o que seria dar força a fascização e a barbárie em marcha no Brasil. Mas o respeito ao devido processo legal não pode significar abrir brechas ridículas para que as mineradoras escapem de uma condenação justa diante de um crime tão complexo.”, disse Thiago.

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